Paraná

Startups projetam atração de R$ 2,85 milhões com o Capital Empreendedor

Pequenos negócios atendidos pelo programa do Sebrae/PR declararam estar mais preparados para buscar investidores

Para empresas nascentes, como as startups, a falta de recursos para gerar escala e crescer é um dos grandes desafios. Uma das alternativas neste meio é o aporte de capital, geralmente por investidores anjos ou fundos de investimento. Pesquisa realizada pelo Sebrae/PR, com 30 startups do Estado que participaram do programa Capital Empreendedor, revelou que nove delas receberam algum tipo de investimento externo no ano passado. Somados, os valores estimam a atração de R$ 2,85 milhões. 

O gestor estadual do programa Capital Empreendedor do Sebrae/PR, Elizandro Ferreira, analisa que os aportes demonstram a evolução gradual da maturidade das startups e do ecossistema de inovação paranaense. 

 “O Sebrae desenvolve uma série de ações e programas para as startups. No caso do Capital Empreendedor, o propósito é levar o pragmatismo para os empreendedores. Também prepará-los para perceber quando e se precisarão de investimentos e como apresentar seus negócios para potenciais investidores”, explica Elizandro. 

A LeadFinder (www.leadfinder.com.br), de Dois Vizinhos, é uma das startups que participou do Capital Empreendedor em 2020 e recebeu aporte de capital, com valores não revelados. Fundada em 2018, foi a primeira captação. O dinheiro veio em novembro do ano passado, de um grupo de investidores composto por mais de 300 pessoas de todo o país. Será um processo progressivo, com a liberação de outros aportes a cada seis meses, conforme indicadores. 

“Cerca de 80% do investimento que recebemos está sendo direcionado para aumentar as vendas. A outra parte, para a melhoria e desenvolvimento de produtos. Nosso objetivo é escalar a empresa [aumentar o volume de produção e de vendas], com incremento em marketing, equipe e processos, entre outros”, revela Fernando Osmarini, diretor da LeadFinder. 

Coração acelerado

A Cor.Sync (www.corsync.com.br), fundada em Curitiba em 2019 e que desenvolveu tecnologia de diagnóstico rápido e preciso de infarto em uma emergência hospitalar, é outra empresa da lista dos aportes de capital. A startup já havia ganhado a atenção do mercado e recebido pequenos aportes especialmente em editais de fomento. Mas, os sócios buscavam aportes ainda mais significativos para impulsionar o crescimento da startup. 

Em 2020, a participação no programa Capital Empreendedor abriu as portas da empresa para futuros investimentos. Em novembro, a empresa se apresentou para uma banca com doze investidores nacionais. O produto foi muito bem recebido e Raul de Macedo, um dos sócios, demonstra confiança com os resultados futuros para a desejada captação de R$ 1,5 milhão. 

“Estamos em negociação com investidores que se interessaram pela nossa empresa. Enviamos a eles relatórios mensais e resultados para mostrar evolução e a consistência do nosso trabalho. A gente entendeu que esse é um processo que leva tempo, em que é preciso construir um relacionamento e ganhar a confiança do investidor. O programa abriu portas para que a gente chegasse até as pessoas certas”, afirma Raul. 

Com pouco tempo de existência, a empresa já recebeu aportes de R$ 185 mil e ganhou mais de R$ 900 mil em editais de fomento. Com isso, a Cor.Sync teve a oportunidade de ser incubada pela Universidade de São Paulo (USP), de receber o apoio do Imperial College de Londres e de realizar testes para a validação da solução no hospital Albert Einstein, na capital paulista. 

Aporte à vista

Leandro Volanick, diretor-técnico da Manfing (manfing.com), de Toledo, região oeste paranaense, também participou do Capital Empreendedor.  

“Os workshops e todos os conteúdos nos ajudaram muito, principalmente em relação a estratégia e planejamento, questões que ainda não tínhamos estruturado na startup. No programa, tivemos a oportunidade de aprimorar esses dois pontos, o que foi essencial para termos mais força na hora de apresentar a Manfing para possíveis investidores”, relata o empreendedor. 

Nesse sentido, entre 2019 e 2020, com os conhecimentos adquiridos no Programa Capital Empreendedor, a startup recebeu R$ 200 mil da Ventiur Aceleradora. O valor foi aplicado para a implantação de melhorias que possibilitassem o crescimento e expansão da empresa. Agora, estão em um processo de negociação em que poderão receber um aporte ainda maior da Meta Ventures. 

“Ao que tudo indica, poderemos receber até R$ 1,5 milhão. Com o valor, vamos continuar focando nos processos de expansão e estruturação, investindo em equipe, estrutura, equipamento e tudo mais que for necessário para chegarmos a mais clientes até o fim deste ano”, revela Leandro. 

Divisor de águas

Quando entrou para o Capital Empreendedor, a Verifact (www.verifact.com.br e @Verifact10 no Twitter), de Maringá, no noroeste do Paraná, havia acabado de conseguir um investimento semente da Wow Aceleradora, em valor não revelado pela startup. Com a participação no programa, preparou-se para ir ao mercado e negociar com grandes investidores. A startup oferece o registro facilitado de provas de fatos ocorridos na internet. 

“Participei de mentorias e troquei informações com empreendedores que sabem o que estão fazendo. Essa participação foi um divisor de águas e importante para entrarmos no mercado de forma mais madura. Estamos muito mais atrativos como startup”, diz a diretora da Verifact, Regina Acutu. 

A startup faz parte do hub de inovação do Itaú, registra crescimento de 30% ao mês e soma cerca de 2,5 mil usuários em quase todos os estados brasileiros, estando presente em departamentos jurídicos de empresas famosas como o Habib’s, Ticket e Electrolux. 

Futuras negociações

Mesmo quem não recebeu aportes em 2020, aposta em sucesso nas negociações com investidores. O sócio-fundador da QRiativa Software (www.qriativa.com.br), de Londrina, Flávio Henrique de Oliveira, diz que a participação no Capital Empreendedor acrescentou muito para o negócio, que nasceu em 2018 e está formalizado há um ano. Para ele, aprender como montar uma apresentação, falar com investidores e entender como novos sócios podem agregar na equipe foi importante para a empresa começar a buscar apoio financeiro externo. 

“O programa nos ajudou a passar no Centelha, o edital de fomento para a inovação, da Fundação Araucária. Ficamos entre os 30 selecionados”, comemora. 

A QRiativa Software oferece soluções voltadas para controle de estoque e vendas focadas em microempreendedores individuais (MEI) e pequenos negócios. O aplicativo QR Estoque, um dos produtos da empresa, oferece o gerenciamento de estoque e automatização das vendas pelo celular. “Estamos com mais de 12 mil downloads e 1,3 mil usuários ativos por mês na plataforma”, conta Flávio. 

R$ 20 milhões no ciclo 2020 do Capital Empreendedor

Mesmo com a pandemia em 2020, o programa Capital Empreendedor, que une investidores e startups, superou os números de pequenos negócios atendidos e o volume de aportes feitos nas micro e pequenas empresas que participam do projeto, se comparado aos anos anteriores. Apenas no ano passado, 41 empresas receberam investimentos de R$ 19,8 milhões, número superior ao de 2019, que foi de R$17,7 milhões. Desde que foi criado, em 2018, o programa já beneficiou diretamente 74 negócios que receberam R$ 42,5 milhões em investimentos.

 

 

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