Inovação

Digitalização de empresas favorece novos mercados em 2022

Negócios relacionados à tecnologia da informação criam oportunidades para empreendedores

Uma das mudanças que a pandemia trouxe para os pequenos negócios brasileiros foi a aceleração no processo de digitalização das empresas. De acordo com levantamento feito pelo Sebrae, em parceria com a FGV, sete em cada dez micro e pequenas empresas se digitalizaram desde o início da crise e essa necessidade acabou criando ou aumentando as oportunidades em segmentos voltados para a tecnologia.

O gerente de Competitividade do Sebrae, Cesar Rissete, revela que negócios ligados à tecnologia da informação como suporte técnico, manutenção e marketing estão entre os segmentos que mais apresentaram aumento, desde o início da pandemia, em 2020. “São atividades voltadas para digitalização de empresas e assessoramento ao usuário na utilização de sistemas e, por isso, a tendência é que, em 2022, essas atividades continuem crescendo", ressalta. Ele explica que um dos motivos para esse movimento está no fato de que os consumidores estão mais digitais, o que faz com que as empresas também tenham que acompanhar esse movimento do consumidor.

“A transformação digital, que muitas empresas estão sendo forçadas a fazer, cria oportunidades como desenvolvimento de aplicativos e websites, gestão de mídias sociais e gestão de marketing digital. Nós vimos um aumento na digitalização, mas ainda há espaço para aproveitar melhor esse movimento dos pequenos negócios”, conta Rissete.  Há ainda muitas oportunidades relacionadas ao maior uso de equipamentos de comunicação em geral, de biometria, de automação residencial e empresarial e realidade virtual para teste de produtos e serviços.

Ainda de acordo com pesquisas feitas pelo Sebrae, mesmo com mais de 85% dos pequenos negócios tendo voltado a operar, a digitalização deve continuar sendo um dos pontos de atenção dos pequenos negócios.  “Mesmo com a volta do presencial, o digital continua sendo importante. Seja como um canal de promoção, de divulgação, de exposição e de comercialização. Essa tendência leva o pequeno negócio a se diferenciar por meio da reputação e exposição da internet. A combinação entre ambiente físico e digital é fundamental para que os pequenos negócios se destaquem e sempre estejam à frente dos demais”, pontua.

A Central de Materiais/SYX, startup paranaense de ativos industriais que atende 23 estados brasileiros e está em processo de internacionalização, iniciou sua digitalização em 2018. Com a pandemia, esta mudança foi acelerada e a empresa desenvolveu uma plataforma de marketplace B2B. 

O CEO da Central de Materiais/SYX, Marcio Léo Danielewicz

A startup comercializa materiais parados, em desuso e recicláveis, como veículos, sucatas e máquinas, além de ferramentas de áreas como infraestrutura, florestal, metal, mecânica e mineração. Por meio do marketplace, o processo de venda da empresa ficou mais fácil, desde a entrada e registro do produto, controle de documentação, cotação eletrônica, logística, termos jurídicos até a entrega dos bens. 

“Com a digitalização, percebemos um aumento no número de vendas, o que nos proporcionou fechar o ano de 2021 com R$ 65 milhões em volume transacionado, além de aumentar o engajamento com os clientes. Queremos dobrar o volume nos próximos quatro anos, chegando em mais de R$ 1 bilhão em 2025”, explica o CEO, Marcio Léo Danielewicz. 

Outro exemplo positivo de digitalização é o da advogada especialista em ações consumeristas há cerca de 20 anos, Patrícia Saugo, que abriu empresa em plena pandemia, na cidade de Maringá.  A Avaliando Brasil surgiu em 2020, já em contexto de digitalização. Trata-se de uma empresa que, além de ser digital, proporciona que pequenos negócios se tornem mais digitais.  

“Embora as empresas tenham ferramentas para auxiliar quando existe litígio, elas não tinham uma que ajudasse na identificação dos pontos fracos do processo, a fim de uma atuação preventiva”, diz Patrícia. 

Patrícia Saugo abriu sua empresa em 2020, já em um contexto de digitalização

O sistema é online e funciona todos os dias, 24 horas. As empresas que fazem a adesão à solução conseguem, de forma totalmente digital, obter avaliação do próprio negócio junto aos clientes – eles podem fazê-la rapidamente durante o atendimento via QR Code. É possível analisar em tempo real como está a saúde da empresa e tomar decisões rápidas para evitar problemas futuros.

Outros segmentos

Mas além dos negócios ligados à tecnologia, outras atividades também devem demonstrar sinais de recuperação e se tornarem boas oportunidades de negócios. Com retorno das pessoas às ruas sem restrição de circulação, alguns segmentos que tinham sido fortemente afetados na pandemia - como os pequenos negócios de alimentação fora do lar - podem ter novo fôlego neste ano. “Há de se destacar também a perspectiva de retomada do turismo, com destaque para destinos nacionais, que estão se beneficiando com a demanda reprimida por viagens, bem como condições menos favoráveis para o turismo internacional (câmbio, variante do vírus ômicron)”, observa.

Logística é outro segmento que pode ter um bom mercado em 2022.  “É uma atividade que presta serviços para todos os demais e na qual vemos ainda muitas deficiências. Quase toda empresa depende de algum processo de logística e o empreendedor pode conseguir identificar oportunidades aqui”, comenta Rissete, que ainda acrescenta que tem sido grande a procura por informações, no portal do Sebrae, sobre como abrir empresas nesse setor.

Mais atividades que podem crescer em 2020, por estarem ligadas às mudanças no perfil do consumidor brasileiro, são aquelas voltadas para a população com mais idade. Com a crescente proporção de idosos na população já se cria nichos com oportunidades específicas em áreas como saúde e bem-estar, atividades físicas, turismo e serviços em geral. Outra tendência é o aumento de animais domésticos. O mercado pet já conta com grandes players de varejo, mas também oferece muitas possibilidades para pequenas empresas de higiene e embelezamento, alojamento e treinamento de pets.