Segurança

Pequenos negócios do setor de artesanato devem redobrar cuidados no atendimento

Profissionais do setor no Paraná têm procurado seguir todos os protocolos de segurança e também exploraram as vendas pela internet

O relacionamento direto com o consumidor, realizado em feiras e centros comerciais voltados principalmente a turistas, fez com que o setor do artesanato fosse um dos segmentos da economia mais atingidos pela pandemia do novo coronavírus. Nesse momento em que várias cidades pelo país estão flexibilizando as medidas de isolamento social, os donos de pequenos negócios que trabalham com o artesanato vivem a expectativa de retomar as atividades e recuperar parte do prejuízo acumulado com o período de paralisação. Para orientar os empreendedores para uma retomada segura, o Sebrae elaborou um protocolo especial com dicas e orientações. 

O documento faz parte de um conjunto de protocolos elaborados pelo Sebrae para 35 segmentos de atividades que reúnem mais de 70% de todas as micro e pequenas empresas do país. Os textos foram elaborados com base em documentos de referência das principais autoridades de saúde do Brasil e do mundo, além das entidades representativas do próprio setor do artesanato.

Duas orientações são básicas não apenas para quem lida com o artesanato: a limpeza, com água e sabão ou álcool em gel 70% e o distanciamento social de 1,5 metro entre as pessoas. Além disso, os empresários que atuam no segmento precisam informar para os trabalhadores e clientes que é necessário adotar algumas normas importantes, como isolar por precaução todos aqueles que apresentarem um quadro de tosse leve ou febre baixa (37,3 C ou mais). O documento elaborado pelo Sebrae orienta também que se crie um espaço separado para recepção de mercadorias, estoques e outros insumos. As áreas de produção e espaços de convivência devem ser limpas numa frequência maior que os demais espaços da empresa.   

Após a chegada de mercadorias, elas devem ser limpas e a desinfecção precisa ser feita imediatamente. Assim como todas as ferramentas de trabalho, máquinas, superfícies, objetos e equipamentos de uso manual devem ser constantemente higienizados. O documento esclarece que o público deve ser notificado sobre qualquer tipo de restrição no website da loja ou da feira, além de receber orientações sobre os fluxos de entrada e saída da loja que devem ser distintos.

No Paraná, artesãos têm procurado seguir todos os protocolos de segurança, especialmente por conta da retomada gradual das atividades presenciais em feiras e locais públicos. A venda de produtos pela internet também se tornou uma alternativa frequente para driblar os efeitos da pandemia.

Thais Duarte Bifano, por exemplo, é professora e artesã em Cascavel, na região oeste do estado. Há três anos, faz arranjos de suculentas e participa da feira livre Feira do Teatro, que prioriza a comercialização de artesanatos e produtos feitos à mão. Na metade de março, a Feira paralisou as atividades e, mesmo estando em casa, Thais continuou divulgando os arranjos na internet. No final de agosto, com o relaxamento dos decretos municipais, a Feira voltou a acontecer todos os domingos, mas ela ainda não se sentia segura para participar. 

“O artesanato não é minha única renda, então optei por não ir a Feira enquanto não me sentisse segura. Só voltei no último dia 06 de setembro. Notei que alguns feirantes estão usando cadeiras e outros obstáculos para garantir o distanciamento, mas com o meu produto não consigo fazer isso: as pessoas querem pegar os vasinhos e sentir que as suculentas são de verdade”, relata a artesã. 

Diante disso, ela retornou à rotina de feirante com uso constante de luvas, máscara e protetor de acrílico para face. E segundo ela, além das plantas, outro item também se tornou obrigatório na barraca “estúdio suculentas, by Thais Bifano”. 

“Uso álcool gel para quase tudo, o tempo todo. Quando um cliente toca nos vasos ou na mesa, na sequência, eu já procuro higienizar. Também ofereço o álcool para uso e estou sempre cuidando para que nada fique muito tempo sem a correta higienização”, pontua. 

Já em Ponta Grossa, na região central, a Casa do Artesão de Ponta Grossa, que funciona em um espaço na praça Barão do Rio Branco, adotou algumas medidas com o objetivo de evitar a proliferação do vírus. Conforme a presidente do local, Rosângela Tavares dos Santos, o uso de máscara e do álcool em gel fazem parte das medidas básicas de prevenção, bem como a higienização frequente dos produtos expostos. 

Com atendimento normalizado, de segunda a sábado, Rosangela conta que não foi necessário restringir o acesso de clientes no espaço já que as vendas estão sendo retomadas lentamente. Ele estima que as comercializações retraíram, em média, 50% desde o início da pandemia. Uma das alternativas foi intensificar as publicações dos produtos e alertar sobre o funcionamento do local no Facebook. Segundo ela, são 18 artesãos que expõem seus produtos e dependem ou complementam renda com as vendas online. 

Alessandra Judith Bracker, de União da Vitória, teve que se reinventar com a pandemia. Ela produzia lembrancinhas para aniversários quando as medidas de isolamento social interromperam a realização de festas. O faturamento foi reduzido a zero e ela teve que procurar alternativas.  Passadas as três primeiras semanas, e com a flexibilização das medidas, Alessandra passou a atuar em outros setores.

William Cenci e Alessandra Judith Bracker em frente à loja física, que foi inaugurada em 10 de setembro

“Comecei a produzir brindes para empresas, como canecas, camisetas e almofadas, entre outros produtos personalizados. Consegui retomar o faturamento, graças a essas mudanças”, frisa Alessandra.

A empreendedora acrescenta que o trabalho feito antes da pandemia nas redes sociais contribuiu para a comunicação com os clientes e para divulgar as entregas em domicílio, seguindo todos os cuidados necessários.

“Em todo o processo, desde a produção, temos cuidados com a higienização dos materiais. Nas entregas, procuramos sempre manter distanciamento, de um metro e meio, pelo menos, e usar álcool gel e máscaras. Tudo isso fez bastante diferença. Ao passar segurança, conseguimos ampliar vendas”, relata.

Alessandra diz que as receitas são muito maiores do que em 2019, o que resultou na abertura da loja física, no dia 10 de setembro.

“No ano passado, eu só fazia lembrancinhas, era um mercado restrito. Na pandemia, meu faturamento dobrou em relação a 2019, graças a abertura de novos mercados”, comemora Alessandra, que teve que contar com a ajuda do marido, William Cenci, que está trabalhando em home office para dar conta dos novos pedidos.

Confira algumas dicas para os empreendedores do artesanato

  • Utilize sempre o álcool gel 70%.
  • Mantenha sempre o distanciamento social de 1,5 metro, entre os clientes e outros artesãos.
  • Informe aos colaboradores e clientes que qualquer pessoa que tenha tosse leve ou febre baixa (37,3º C ou mais) precisa permanecer em casa.
  • Separe um espaço para recepção de mercadorias, estoques e outros insumos
  • Limpe a área de recepção pelo menos duas vezes ao dia.
  • Limpe e higienize as mercadorias imediatamente na chegada.
  • Limpe todas as ferramentas de trabalho, máquinas e equipamentos de uso manual, antes e durante a execução do artesanato.
  • Verifique se seus ambientes de produção estão limpos e higienizados, assim como superfícies (mesas e bancadas) e objetos (ferramentas, matéria prima, telefones, teclados).
  • Notifique o público sobre restrições relacionadas ao contexto no website da loja, evento ou feira (se houver).
  • Antes de entrar no espaço do empreendimento garanta a manutenção de fluxos separados de entrada e saída, além de orientar o cliente sobre o percurso nos espaços de forma unidirecional.
  • Siga sempre os protocolos de segurança exigidos pela Organização Mundial da Saúde (OMS), Ministério da Saúde e Agência de Vigilância Sanitária (Anvisa).
  • Leve em consideração as medidas do poder público e decretos vigentes em cada região; fique atento aos regulamentos e ao funcionamento do comércio.

 

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