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Seminário discute qualidade e norma para materiais de construção

Evento reuniu especialistas em blocos de concreto para discutir o atendimento à Norma de Desempenho, que fixou parâmetros de qualidade para o setor

Você pode nunca ter ouvido falar da NBR 15575, mas, se já ficou sem dormir por causa da festa no apartamento do vizinho ou passou frio o dia inteiro no escritório durante o inverno, sim, você já sofreu com ela - ou melhor, a falta dela. Em vigor desde 2013, a NBR 15575 – que surgiu para padronizar e estabelecer níveis de qualidade nos materiais usados na construção civil - foi o assunto central do Seminário Desmistificando o Atendimento à Norma de Desempenho, realizado no auditório do Sebrae/PR em Curitiba (PR), nesta quinta-feira (04).

Focado no segmento de blocos de concreto, o evento reuniu engenheiros, arquitetos, empresários e empreendedores do setor. “Essa norma impactou os negócios porque mudou a consciência do consumidor, que tem mais informações. Ele cobra novos produtos e novas soluções por parte das construtoras, dos fornecedores dessa cadeia, para aumentar a performance. E a inovação, a sustentabilidade e o design são obrigatórios para as empresas atualmente, já não é mais algo para o futuro”, comentoua consultora do Sebrae/PR, Adriana Kalinowski.

O diretor comercial da Gai Blocos de Concreto, Jorge Gai, que participou da organização do encontro, acrescentou que a qualidade é essencial para atravessar o momento de dificuldade enfrentado pela construção civil.

“É o sétimo evento do tipo realizado no Brasil. O nosso objetivo é mostrar que estamos fazendo todos os ensaios necessários. A construtora que atende a norma está se antecipando para não ter dor de cabeça e continuar construindo. E isso é muito importante para o nome das empresas. Nesse setor, qualquer um que não tenha um nome consolidado acaba tendo muitas dificuldades”, salientou.

Palestrantes

O tema foi direcionadoaos blocos de concreto, a base para qualquer construção e que interfere diretamente em aspectos como acústica e conforto térmico.

Primeira palestrante do dia, a Engenheira Civil Maria Angélica Covelo, diretora da NGI Consultoria, de São Paulo (SP), fez um apanhado de como esses debates têm evoluído no mundo desde a segunda metade do século 20. No Brasil, ela destacou os avanços trazidos pela NBR 15575, mas pontou que ainda há muito a corrigir.

“Temos produtos que se dizem ‘inovadores’, mas não passaram por testes de desempenho adequados. São produtos que trazem risco e estão no mercado. A base de tudo tem que ser o desempenho, com todos os testes necessários”, afirmou.

A Engenheira falou ainda da necessidade de trabalhar os projetos com uma visão que contemple a obra inteira, da parte hidráulica ao acabamento, mas sem deixar de observar os detalhes.“Temos que olhar as necessidades de uso e operação. Para uma parede de concreto, as condições de exposição ao clima em Curitiba são diferentes do que se vê em Maceió (AL), por exemplo. Tudo isso interfere”, complementou.

Já o arquiteto e consultor da Bloco Brasil, Carlos Alberto Tauil, detalhou uma série de ensaios realizados com diferentes materiais, para garantir que os produtos que chegam ao mercado estejam em conformidade com a Norma de Desempenho. “Com esses ensaios é que descobrimos as coisas, são testes de laboratório que servem de base contra impactos, vendavais, incêndios. [Com a padronização da norma], começamos a definir responsabilidades”, salientou.

O Engenheiro Civil e diretor técnico do Sinaprocim/Sinprocim, Anderson de Oliveira, fechou a programação frisando a importância de que as empresas se credenciem em Programas Setoriais da Qualidade (PSQs), que são vinculados ao governo federal e possibilitam, inclusive, acesso a linhas de crédito especiais.

“Nenhum fabricante é exigido além do que prevê a norma. Ainda mais com a crise, nem sempre se foca em qualidade, o que é uma pena, pois isso é um ganho para toda a cadeia”, argumentou.

Para o presidente da Associação dos Mineradores de Areia e Saibro do Paraná (Amas), Marcos Chueda, que acompanhou o seminário, o debate ajudou a conectar as diferentes pontas da construção, que em boa parte do tempo, segundo ele, caminham de forma isolada.

“Essa conversa é importante em todos os momentos, com o mercado em alta ou em baixa, por conta da inovação e da evolução tecnológica. Nossa cultura é muito imediatista, um consumismo rápido e barato, por issotemos que colocar essa discussão no do dia a dia do empresário, do empreendedor e dos líderes do segmento”, avaliou.

Sobre

O Seminário Desmistificando o Atendimento à Norma de Desempenho foi realizado pela Associação Brasileira de Cimento Portland (ABCP); Associação Brasileira da Indústria de Blocos de Concreto (BlocoBrasil); e Sindicato Nacional da Indústria de Produtos de Cimento e Sindicato da Indústria de Produtos de Cimento do Estado de São Paulo (Sinaprocim/Sinprocim). O encontro teve o apoio do Sebrae/PR e patrocínio da Gai Blocos de Concreto.

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